domingo, 10 de agosto de 2014

Juízos de valor e os filtros

Desde que perdi o meu pai que tenho comentado com algumas pessoas mais próximas que perdi muitos dos filtros que tinha. Não me tornei desbocada, mas tenho uma tolerância abaixo de zero sobre alguns assuntos e com algumas pessoas. No entanto, sei que isso não me dá o direito de comentar tudo o que me apetece, na altura que me apetece e onde quer que esteja. Muito menos se não estiver na posse de todas as informações.
Acredito que tecer juízos de valor é próprio da natureza humana e que todos, sejamos melhores ou piores pessoas, mais desbocadas ou mais discretas, todos, o fazemos. A diferença está na forma como lidamos com estas nossas opiniões e por mim, gosto muito de as manter cá dentro e normalmente só saem numa conversa mais intima com alguém mesmo muito próximo.

Um exemplo.
Na 5ª-feira quando fui ao hospital levar a segunda dose de penicilina, o estacionamento estava, para variar, a abarrotar e a minha mâe enfiou-se num cantinho e, apesar de não atrapalhar a circulação, ela preferiu ficar no carro, caso fosse necessário retirá-lo. Ia eu a caminho da entrada e vejo uma mulher ao volante de um carro que entrou a todo o gás no estacionamento e deixou o carro no primeiro espaço que encontrou...e digamos que esse espaço era o único que permitia a circulação das viatura. Como que num reflexo pensei logo na falta de respeito para com os restantes utentes, que se tinha pressa viesse mais cedo, mas segui o meu caminho. À entrada ouvia-se o burburinho da velocidade e da falta de civismo...passei e nem me passou pela cabeça abrir a boca!
Quando fui chamada à sala de enfermagem estava um rebuliço, um médico a ligar para o centro de intoxicações e enfermeiros a fazer uma lavagem ao estômago de uma rapariga de 19 anos que tinha emborcado uma ou duas caixas de brufen. Gelei. Assim que saí da sala vejo a condutora do tal carro num farrapo. Amãe. Não chorava, via-se a ira, a frustração e o medo na sua expressão, tinha as caixas dos medicamentos nas mãos.
Senti-me estúpida e tão injusta!!! No lugar dela quem não teria feito o mesmo?!!! Bem...eu se calhar ainda tinha feito pior e tinha deixado o carro mesmo à porta. 

1 comentário:

  1. bem deve ser o desespero..
    nós por vezes julgamos as pessoas sem saber bem ao certo o que se passa..

    kisses***

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